24 de junho de 2026

Quando comecei a estudar o projeto do Clube Praia do Terras, percebi que a curiosidade não estava só no tamanho da obra, estava na engenharia por trás da onda. Por isso resolvi ir até a origem da tecnologia Endless Surf, entender como ela chegou até aqui e o que, de fato, torna esse projeto diferente de qualquer coisa já vista no interior de São Paulo.

A pré-história das ondas artificiais

A ideia de recriar o oceano fora dele não é nova. O primeiro registro de uma piscina de ondas remonta a 1912, na Alemanha, com a Undosa, um sistema movido a vapor que oferecia a sensação do mar a quem podia pagar por ela, ainda sem qualquer relação com o surfe, que nem havia chegado à Europa naquela época.

A virada para o surfe propriamente dito veio décadas depois. A WhiteWater, empresa canadense que mais tarde criaria a Endless Surf, construiu sua primeira piscina de ondas em 1989, instalação que, segundo a própria companhia, continua operando até hoje. É essa base de quatro décadas de experiência em movimentação de água que sustenta a credibilidade da marca no mercado de surf parks.

Três marcos que mudaram o jogo

Três marcos valem ser contados para entender a evolução até a tecnologia que chega ao Clube Praia do Terras:

Surf Snowdonia (Wales, 2015). Foi o primeiro lago de surfe comercial do mundo, usando a tecnologia Wavegarden. Um ano depois, recebeu o Red Bull Unleashed, primeiro evento competitivo já realizado dentro de uma piscina de ondas, vencido por Albee Layer. Foi o momento em que o mercado entendeu que ondas artificiais podiam sustentar competição de alto nível, não só lazer.

Surf Lakes (Yeppoon, Austrália). A história aqui começa de um jeito quase improvável: Aaron Trevis jogando pedras num lago e observando o efeito de ondas concêntricas se espalhando na água. Dessa observação nasceu o Central Wave Device, um mecanismo de quase 1.400 toneladas que funciona como um êmbolo gigante, gerando ondas circulares simultâneas em múltiplos picos. O protótipo testado em Yeppoon chegou a produzir paredes de onda acima de 4,8 metros e mais de 2.000 ondas por hora.

Endless Surf e a consolidação do modelo por câmaras pneumáticas. A tecnologia que vai equipar o Clube Praia do Terras usa caissons, câmaras pneumáticas instaladas ao longo da parede de fundo da piscina, que empurram o ar e geram a onda de forma totalmente programável. Os modelos da marca são batizados pelo número de caissons: o ES36 já equipa parques como o The Point Surf Park, na Flórida, e o sistema é capaz de produzir entre 400 e 700 ondas por hora, com alturas que variam de 1 a 2 metros e podem chegar a pouco mais de 2 metros nas configurações mais potentes.

O que muda com o ES66

Aqui está o ponto que torna o Clube Praia do Terras um caso à parte, não só no Brasil, mas dentro do próprio portfólio da Endless Surf. O sistema escolhido para o projeto é o ES66, com 66 caissons, o maior modelo já desenvolvido pela companhia até hoje.

Isso se traduz em três diferenciais técnicos concretos:

  • Duração da onda. Enquanto o litoral entrega, em média, paredes de 10 a 12 segundos, o ES66 sustenta uma onda contínua de até 40 segundos. Jesse Crawford, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Endless Surf para a América Latina, descreveu o ganho como a abertura de um novo leque criativo: com esse comprimento, uma única onda comporta de cinco a seis seções distintas, espaço suficiente para manobras como carves, floaters, airs e barrels dentro do mesmo trecho.
  • Modo split-peak. O sistema também pode operar gerando duas ondas simultâneas de 20 segundos cada, dobrando o fluxo de surfistas na água sem perder qualidade de onda.
  • Escala como atributo, não como limite. Segundo a Endless Surf, o desenho modular permite ajustar porte e capacidade sem alterar a qualidade da onda entregue, ou seja, o ES66 não é uma versão "maior e mais lenta" do sistema, é a mesma tecnologia em sua expressão mais completa.

Onde fica e quem tem acesso

O Clube Praia do Terras não está dentro do condomínio Terras de São José. Ele ocupa uma área enorme, exatamente em frente ao Terras de São José 2, e é justamente por isso que o empreendimento ganhou nome próprio.

O acesso ao Clube não vem automaticamente de morar na região, ele se dá pela compra de títulos, e essa compra está sujeita a regras de elegibilidade. Hoje, o caminho passa por quatro frentes: adquirir um terreno no Terras 2 (e aqui vale o alerta, não é qualquer terreno que dá esse direito, então antes de decidir, me consulte), ser proprietário de uma casa pronta no Terras 1 ou no Terras 2, comprar uma casa no Villas do Terras, o novo condomínio do Grupo Senpar com 29 casas padronizadas em formato village à beira-lago, ou adquirir um terreno no futuro Terras 3.

Na prática, o acesso físico foi pensado com segurança e praticidade como prioridade: moradores do Terras 2 e do Villas do Terras terão uma ponte exclusiva, ligando diretamente ao Clube. Já quem é proprietário no Terras 1 mantém o acesso tradicional, pela Rodovia Waldomiro Corrêa de Camargo.

A maior estrutura, em dois sentidos

Vale separar com precisão duas afirmações que andam juntas, mas não são idênticas. A primeira, confirmada pela própria Endless Surf em comunicado oficial, é que o ES66 do Clube Praia do Terras será a maior piscina Endless Surf já construída no mundo. A segunda, defendida pelo Grupo Terras de São José em entrevistas à imprensa, é que o complexo completo deterá a maior praia artificial fora do litoral do planeta, somando a estrutura de ondas à extensão de areia ao redor.

São duas escalas diferentes, a do equipamento e a do empreendimento, mas que se reforçam: o Clube Praia do Terras será a primeira instalação da Endless Surf no estado de São Paulo e a segunda em todo o Brasil, depois do Brasil Surf Clube, no Rio de Janeiro.

Muito além da onda: o eixo wellness

A piscina de ondas é a porta de entrada, mas não é o projeto inteiro. O Clube também é pensado em torno do wellness, uma das grandes tendências de lazer no mundo hoje: gastronomia de padrão internacional, estrutura de saúde, conforto e comodidades pensadas para o dia a dia dos associados, não só para uma visita ocasional.

Por que isso importa para quem pensa em patrimônio

Não é sobre ter uma onda bonita para postar. É sobre o que esse tipo de infraestrutura representa para uma região que já carrega seis décadas de história, desde que o Terras de São José se tornou o pioneiro dos condomínios fechados no Brasil. O Clube Praia do Terras antecede o lançamento do Terras 3, que vai usar todo o know-how acumulado pelo Grupo Senpar nos já consolidados Terras 1 e 2, num projeto pensado para ser superior ao que já foi entregue.

A longo prazo, a região forma um ecossistema bem completo: gastronomia, esporte, saúde, hotelaria, shoppings, educação e até hospital. Trazer a tecnologia de ponta mais avançada do setor de surf parks para esse contexto reposiciona o ativo: deixa de ser só um lote bem localizado e passa a fazer parte de um ecossistema de lazer que, hoje, só uma lista muito curta de endereços no mundo pode oferecer.

É esse tipo de movimento que costumo dizer aos meus clientes: quem entende a curva de valorização entra na fase de estruturação, não depois que a obra já está pronta e validada pelo mercado.


Fontes: Endless Surf (comunicado oficial, novembro de 2025), WhiteWater West, Surf Lakes, The Inertia, Wave Pool Mag, Surfer Today.

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